Rabisco nos papéis

 
  Aldemir Martins

 

Contei de um a dez,

durante todo o mês,

tanto que, desta vez,

não estou mais a seus pés.

 

Filmes nas matinês,

rodas de samba em bar,

bebi pra não lembrar,

cantei Insensatez.

 

Invento algum lugar,

rabisco nos papéis

sonhos de cabarés,

viagens de além-mar.

 

Lua e estrela em anéis,

canções de Tom Jobim

se misturam a mim

e eu sigo de viés.

 

O ano está no fim,

outro ano há de passar,

eu vou acreditar,

vou rir de ser assim.

 

Esbarro meu olhar

na foto que me traz

os dias lá atrás

que eu hei de superar.

 

Onde se vende paz,

se cerze um coração?

Nas linhas da minha mão

eu li que “nunca mais”.

 

Daqui ao Dia de Reis,

depuro a solidão,

desmancho esta ilusão

- talvez!

 



 Escrito por André Luís Câmara às 15h25
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