André da Esquina saúda 2005 e pede passagem!
 Flagrante de André da Esquina clicado por Eric Michelucci, com retoque caprichado de Leonardo Bruno
Caríssimos,
bom demais poder chegar aqui nesta esquina e abraçar vocês. Tudo há de continuar como está e tudo também há de mudar. Depende mesmo é do nosso modo de olhar e agir. Afinal, a vida é a arte de enxergar. Quando morava no Hotel Santa Tereza, costumava descer a pé até o centro da cidade, pro trabalho, e ia pensando num poema de Manuel Bandeira que era quase uma oração diária pra mim. Por isso aqui quero partilhá-lo com vocês a quem desejo tudo de melhor. Em 2005 farei 40 anos. Terei mais cabelos grisalhos e, espero, rugas pelo que tenho vivido, sofrido, amado, cantado, sorrido, experimentado. Que sempre é tempo pra se reinventar o novo e insistir no sol da manhã. Mas é preciso ter prudência pra aceitar as manhãs de chuva, claro. E, como Bandeira, eu quero e preciso de lua nova. Beijos abraço e carinhos sem ter fim.
Lua Nova (Manuel Bandeira)
Meu novo quarto Virado para o nascente: Meu quarto, de novo a cavaleiro da entrada da barra.
Depois de dez anos de pátio Volto a tomar conhecimento da aurora. Volto a banhar meus olhos no mênstruo incruento das madrugadas.
Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.
Hei de aprender com ele A partir de uma vez - Sem medo, Sem remorso, Sem saudade.
Não pensem que estou aguardando a lua cheia. - Esse sol da demência Vaga e noctâmbula. O que eu quero, O de que preciso É de lua nova.
Escrito por André Luís Câmara às 11h36
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Toque aquela canção

Vou site em site, blog em blog, tonto de desencontros e procuras, ainda na ilusão de que costuras a separação, mas, por entre o fog, um avião já vai partir, se abrem abismos e fico a ouvir aquela canção que diz "you must remember this..."
Escrito por André Luís Câmara às 03h01
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Três meses de esquina
 Mondrian
Esta esquina está completando, hoje, três meses. De setembro pra cá, você, que por aqui passa, lê, observa, comenta, foi se tornando imprescindível pro meu dia, pra minha vida. Espero poder sempre aqui oferecer qualquer coisa que possa lhe despertar emoções, idéias, encantamento. Nem sempre tem sido possível manter distância de sentimentos mais passionais, de subjetivismos, quem sabe, inúteis. Mas, cada vez mais, irei procurar chegar a você, leitor e amigo, parceiro, interlocutor, supostamente vitual mas concreto na construção de meu olhar sobre a vida. Eu amo esta esquina e adoro saber que por aqui passam pessoas especiais e importantes pra mim como você. Só pra comemorar, reproduzo abaixo o texto que inaugurou este blog, renovando o convite pra que você participe comigo de sonhos e idéias. Viva esta esquina! Saravá! Beijos e abraços e carinhos sem ter fim!
Convite para uma esquina (Originalmente postado em 12/09/2004)
Eu quero interferir na sua vida. Sem o blá-blá-blá eleitoreiro, sem promessa de nada, sem Igreja alguma. Ou talvez até com tudo isso. Já quis me definir como escritor, mas tenho feito pouco, muito pouco pra me reconhecer como tal. Peguei um ônibus na madrugada que tinha um sanfoneiro tocando. Bala perdida em volta, o cinismo, a guerra, a competitividade, o desencontro. E o sanfoneiro tocando e sorrindo. Pedi pra ele Que nem Jiló, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. E lembrei que o remédio é mesmo cantar. Quero reunir gente numa esquina. Não sei ainda onde nem como será. Sei que é uma esquina pra onde estou indo agora, levando Macunaíma e A meditação sobre o Tietê. Não tenho a menor vontade de me perder na nostalgia, na melancolia por um passado que me asfixie. Quero redescobrir o tempo. Romântico, sem saber lidar com o dinheiro, neurótico e até infantil. Mas já tenho cicatrizes, cabelos brancos, amores desfeitos, dois filhos lindos, um recente encantamento pela Tijuca e nada a oferecer além de uma paixão às vezes inútil e uma obstinação em reafirmar o compromisso com o sonho. Sou eu assim, mas não vou estagnar. Gostaria de encontrar com você nesta esquina e celebrar a arte do encontro. Se vai ser através da internet, de cartas, de bares, sei lá. Sei que há uma esquina e amanhã estarei morto. Antes, porém, devo a mim mesmo esse encontro. Se você tem vontade de passar por esta esquina, me avise. Não vamos nos perder em exercícios de ironia. Vamos, antes, procurar afinidades e o entusiasmo de continuar a acreditar na beleza. Quero me vestir de futuro do presente num gesto infinitivamente pessoal. Mas ser para e com o outro, reiventando um espetáculo de gratuidade. Já me frustrei demais com expectativas idealizadas. Quero agora arcar com as conseqüências do risco, conviver com o erro. Experimentar! Estou indo pra esquina e levo Macunaíma. Um excelente dia pra você. Viva a vida! Viva o Brasil! Queria mesmo interferir no seu caminho. Estou numa encruzilhada em que passa tudo isso de que falam os jornais, mas tem também um sanfoneiro que toca Que nem jiló. O remédio é cantar. O Rio hoje amanheceu cantando. Dentro de poucos dias virá a primavera. Eu estarei na esquina com Macunaíma e a alegria de readquirir a potência de engravidar o instante. Beijos e abraços e carinhos sem ter fim!
Escrito por André Luís Câmara às 15h24
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