Amanhece e escuto Tom Jobim

Eu virei a noite. Tomei café na padaria na esquina da Rua Santo Amaro, quase em frente onde morou Mario de Andrade, entre 1938 e 1940. Peguei o 434, dormi e o trocador me sacudiu quando já estávamos no Leblon. Amanhecia. Entrei na Letras e Expressões pra fazer um xixi, o gerente me reconheceu como sempre. Acabei perguntando se ele já havia recebido o CD de Tom Jobim ao vivo em Minas, gravado em 1981 e recentemente lançado pela Biscoito Fino. Pois é, estou agora ouvindo este CD, nesta sexta-feira ensolarada. Aos prantos. Penso nas mulheres que passaram pela minha vida e sabem o quanto eu amaria ouvir este CD. Talvez deva ser feliz por ter amado mulheres assim. Corram e comprem logo o CD. Peçam dinheiro emprestado, estourem o cartão ou apenas fiquem ouvindo horas e horas na livraria. Os vendedores vão entender, saberão o que é ter que ouvir Tom Jobim pra sentir que viver valeu. Meu Deus, é a melhor coisa que você pode fazer por você enquanto o verão se anuncia sobre o Rio. Que dor é saber que ela jamais irá voltar! Viva Antônio Carlos Jobim! Mas é quase insuportável ouvir nesta hora:
"Eu sei e você sabe Já que a vida quis assim Que nada neste mundo Levará você de mim Eu sei e você sabe Que a distância não existe Que todo grande amor Só é bem grande se for triste Por isto, meu amor Não tenha medo de sofrer Que todos os caminhos Me encaminham pra você..."
(Eu não existo sem você - Tom/Vinicius)
Escrito por André Luís Câmara às 06h01
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Pena que você perdeu o Dia da Música no Bip-Bip...
Para Flavio Feitosa, Chico Genu e, claro, Alfredinho! Sem esquecer Paulinho Castro e todo o pessoal do Bip-Bip
 Alfredinho, do Bip-Bip: o bar é endereço certo para quem gosta da boa música
O Dia da Música, nesta segunda, 22 de novembro, foi mais do que bem comemorado no reduto dos que amam a boa música no Rio de Janeiro: o botequim Bip-Bip, desse maravilhoso e sempre generoso (às vezes zangado) Alfredo. Os violões de Chico Genu (tudo bem, ele estava sem o seu e se serviu do violão do bar, um pouco machucado pelo tempo) e de Flavio Feitosa embalaram e encantaram a noite dos boêmios que lá foram conferir o que as noites de Copacabana ainda podem nos oferecer de melhor, apesar dos pesares. Claro, muito Chico Buarque. E também Gilberto Gil, Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Pixinguinha, Noel, Paulo Cesar Pinheiro, Mauro Duarte, Baden Powell, Tom, Vinicius, Toquinho, Carlos Lyra, Luís Antonio, Aldir Blanc, João Bosco, Paulinho da Viola (não teve Dolores Duran?) entre outros compositores. Mas cantou-se, mesmo, Chico Buarque. Há quem brinque que o bar do Alfredinho vai acabar conhecido como o autêntico Chico`s Bar. Brincadeiras à parte, foi outra das noites memoráveis que o Bip-Bip proporciona. Havia gente chegando de Barra Mansa, havia turistas europeus. E Chico Genu e Flavio Feitosa, como sempre, garantiram a alegria e a harmonia de solidões, de afinidades, de encontros. Um dia especial que já havia começado na animada roda de samba acontecida ali mesmo no domingo. Dia que continuará pela terça-feira, na tradicional e sempre surpreendente roda de choro, e ainda irá se prolongar pela quarta-feira, na roda de bossa-nova. Alfredo só lamentava não ter conseguido realizar o que havia planejado para o dia especial: uma missa pelo Dia da Música e, em seguida, um cortejo de músicos pelos bares da cidade. Mas fica pro ano que vem, ó Alfredo tão nosso e deste Rio que ainda resiste e vai em frente cantando. A mim, perto das duas manhã, restou voltar caminhando agradecido pelas ruas de Copacabana e com esta canção na cabeça, quase uma oração pelo que de melhor se fez em nossa música tão deliciosamente comemorada pelos freqüentadores do Bip-Bip. Saravá!
Sabiá Tom Jobim - Chico Buarque/1968
Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá e é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá
Vou voltar Sei que ainda vou voltar Vou deitar à sombra De uma palmeira Que já não há Colher a flor Que já não dá E algum amor Talvez possa espantar As noites que eu não queria E anunciar o dia
Vou voltar Sei que ainda vou voltar Não vai ser em vão Que fiz tantos planos De me enganar Como fiz enganos De me encontrar Como fiz estradas De me perder Fiz de tudo e nada De te esquecer
Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá e é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá
Escrito por André Luís Câmara às 01h13
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