Coisas de mulher


Jack Vettriano


Vai, xinga, sem cagaço de ser vulgar,
diz que sou vagabunda,
que te dei um pé na bunda
e não fiz força pra continuar,
eu ouço tudo de mansinho,
te enredo em palavra, em carinho,
depois saio pra dançar,
vem, força a barra em não compreender
que eu tinha vontade de escolher
a vida que eu queria levar,
mas, vai, insiste em não superar
teu orgulho, teu pudor,
eu só não queria o amor
sem sentido, sem saída,
diz que estou perdida,
mas me abraça e abre um vinho,
deixa de ser menininho,
de fazer ceninha de macho - tadinho!
mas não guardes o rancor,
que envenena o teu humor,
nem tentes fingir que foi nada,
eu, que por ti fui tocada,
eu tenho minhas mágoas também,
e, embora este fracasso, este fim,
um sonho às vezes me vem
e nele estás bem
sem mim.

 Escrito por André Luís Câmara às 00h33
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Rua sem saída


Modigliani


Na minha rua
passam contrastes da vida,
passa uma bala perdida,
passam inconstâncias da lua.

Na minha rua,
entre tensões divididas,
o cinismo infecciona a ferida
e o pânico se perpetua.

Na minha rua,
a delicadeza esquecida,
sem sucesso, sem guarida,
passa contida e ainda crua.

Passa ela nua
de passagem, de partida,
eu passeio sem saída
na minha rua.



 Escrito por André Luís Câmara às 07h41
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Ridículos do amor!


Magritte

Ela estava fodendo com outro. Eu, cheio de saudade, coração idiotizado de paixão, interrompi o momento com meu telefonema. Mas isso acontece.
Agora é pensar em fodas outras. O amor é coisa de idiotas, mesmo. E Paulo Mendes Campos, há muito tempo, já advertia:

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhado de cinzas o escalarte das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema..."

Paulo Mendes Campos sabia das coisas. E como ele já se foi e não posso mais encontrá-lo pra um chope no Leblon, aqui estou eu neste blogar ridículo. Que a vida dê a vocês possibilidades de amores mais fecundos. Saravá! E que não tenham que escrever a esmo frases ridículas como estas minhas.

 Escrito por André Luís Câmara às 02h37
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