Afonso Machado leva ao Bip-Bip Carlinhos Vergueiro e músico sueco

O bandolinista e compositor Afonso Machado, que estará lançando seu novo CD na próxima terça-feira, 09 de novembro, na Modern Sound, decidiu presentear a noite carioca levando nesta quinta-feira, 4 de novembro, o músico sueco Lars Holm, acompanhado do compositor Carlinhos Vergueiro e do violonista e cavaquinista Tiago Machado (filho de Afonso) para um verdadeiro concerto de botequim. O local, evidentemente, não poderia ter sido mais apropriado: o lugar onde acontece a autêntica música de câmara da boemia carioca, o Bip-Bip, boteco do já lendário Alfredinho. A ele foi dedicado o primeiro número da noite, o choro Bip-Bip, composto por Afonso Machado e executado pelo acordeom maravilhoso de Lars Holm. Maravilhoso e diferente: ao invés de teclas, tem botões quase exóticos. A noite prosseguiu animada, com o repertório belo que está no novo CD de Afonso Machado, além de pérolas do cancioneiro popular, como O Astronauta, de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Ao violão, Carlinhos Vergueiro brindou os presentes com algumas pérolas de Cartola, (Alvorada, Quem me vê sorrindo) Vanzolini (Amor de trapo e farrapo) e composições suas em parceria com Adoniran Barbosa (Torresmo à milanesa) e Chico Buarque (Leve e Nosso bolero). Esta última um dos pontos fortes da noite, apesar de pouco conhecida: "Como o meu jeito de amar se ajeitava com você/ Louco, eu não imaginava uma noite sem você/ Como é sincero poder/ Querer os pulsos cortar/ Como é bolero chegar/ E perder a coragem/ Foi tão bonito você me emprestar a vida assim/ Ver que eu não tinha saída e seguir por onde eu vim/ Como eu adoro você/ Quando você me sorri/ Quando sabemos que aqui/ Termina nossa viagem". O sueco Lars Holm agradecia aos aplausos, não com palmas, mas com o estalar de dedos como já se convencionou no Bip-Bip, em respeito aos ouvidos da vizinhança. Holm lembrou o encantamento de músicos suecos por Sivuca, que, segundo ele, esteve em Estocolmo participando de um filme, em 1967. De Sivuca, o músico sueco tocou, brilhantemente, a valsa João e Maria, imortalizada no cancioneiro popular com a letra de Chico Buarque. Ao final da noite, Afonso Machado, claro, era todo sorrisos. Além de exímio músico e compositor, proporcionou alguns instantes de inigualável beleza gravada em nossos ouvidos e retinas. Quem perdeu, ainda pode procurar conferir um pouco disso tudo na próxima terça, na Modern Sound. Mas quem esteve nesta noite no Bip-Bip sabe que participou de um momento que ajudou a compor um pedacinho da história da música brasileira. Obrigado, Afonso! Um beijo, Alfredo!
Escrito por André Luís Câmara às 01h03
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Queixo-me às rosas

Tenho acompanhado a angústia colocada por alguns blogueiros com relação à procura da palavra. De um certo modo, muitos acabam por questionar o porquê de se estar aqui a escrever. Eu, por mim, que sou bastante novato nesta vertente blogueira, nem imagino como seria ficar sem postar meus textos. Muitas vezes, sim, nem há ânimo para nada, mas me lembro de algo já escrito tempos atrás e procuro ir atualizando esta esquina, dentro do possível.
Hoje iria escrever algo sobre Cartola, compositor dos que mais gosto. Na verdade, pensei num texto introdutório, algo meio embromador para justificar o que realmente queria postar aqui e vou: a letra de As rosas não falam.
Desde 12 de setembro, quando inaugurei este blog, tenho procurado ir em frente, fazendo de tudo pra não sucumbir aos fracassos do amor, aos ridículos do sentimentalismo. Mas meu mestre de Tai-Chi não veio, fiquei aqui sem saber que ginástica, que exercício inventar pra me enganar que a vida continua sem ela. E, com licença, vou me permitir alguns minutos de estagnação e saudade, saudade aguda, saudade ardente, saudade dela.
Meu trabalho fica próximo à Mangueira, que vejo sempre da janela do ônibus. E vai ver, por isso, Cartola hoje me tomou inteiro. Em 1975, Cartola viria a compor este samba-canção, gravado por ele no ano seguinte, e que se tornaria uma das mais célebres obras do cancioneiro popular.
Faz sol no Rio, há coisas importantes pra tratar, questões de política internacional, os rumos do país, o futuro da América Latina, os filmes que estão aí, o teatro, mas, Meu Deus, a Mangueira aqui perto e Cartola na minha cabeça me fazem ficar assim a queixar-me às rosas.
As rosas não falam
Cartola
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Que bobagem! As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Ai, devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim
Escrito por André Luís Câmara às 07h25
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Ruínas de Manhattan

Enquanto a Ponte de Londres caía em Waste Land, não estava no Gueto de Varsóvia nem sofria horrores em Auschwitz, escapava da Bomba de Hiroshima para ver a humanidade dar seu passo na lua e Chaplin receber aquele Oscar de consolação, não fui à Passeata dos Cem Mil nem lutei na Vanguarda Armada Revolucionária, não acompanhei o Chê à Bolívia nem desbundei por causa do Vietnã nem resisti no pau-de-arara do AI-5, soube do escândalo de Watergate e pedi o impeachment com os caras-pintadas, não me identifico com o gosto emergente que faz de cada Barra da Tijuca um arremedo grotesco de Miami, tambores do Vidigal começam a batucar mais forte e talvez venham cessar rojões, tiros e arrogância, quero aceitar a diferença do outro sem retórica, e não vou camuflar o deserto dos meus ódios onde floresce o cacto de minha esperança dissonante, assovio um trecho da Rhapsody in Blue tocada pelo saxofonista da Estação do Largo da Carioca, tantos receios me assaltam e silenciam, mas sorrio para o lixeiro que tem voz de baixo e canta mais um dia de acúmulos dos detritos de nosso convívio por recantos decadentes renovados da cidade em que reconheço o louco cheirando a éter sob a marquise e a florista das rosas murchas, personagens que de nossa exclusão se refugiam na alegoria das casas de suco e dos botequins, arrisco opiniões sem convicção, à mercê do que é politicamente correto mal sabia de Cabul e seus destroços, sou apenas um ser perplexo diante de Manhattan em chamas.
Escrito por André Luís Câmara às 20h23
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Paisagem de Diamantina

Conversas de Minas convidam ao café que a memória prepara, a vagar por ladeiras de pedra, a contemplar janelas e sacadas.
Volto ao Arraial do Tejuco, escuto sinos e modas de viola e sobe o cheiro bom da chuva, espumam cervejas no Beco do Mota.
Mais que igrejas talhadas na memória, mais que a cachoeira nas fotografias, ficaste no sonho assim viagem, assim paisagem de Diamantina.
Escrito por André Luís Câmara às 21h57
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Fragmentos no caos
 Vincent
Há que se dar início à tentativa de dizer. Buscar os próprios meios, mais difíceis e que implicam demora e uma tenaz perseverança, visto que ainda se mostram pouco e, por isso, estranhos à convivência, quase nada deles se conhece. Meios de conseguir dizer e ir além do imobilismo da perplexidade em que se deixou tolher a experimentação de gestos, de palavras, de possibilidades de ação. Meios que se frustram ante à rede de polêmicas pré-fabricadas, condicionadas a propostas artificiosas na teia do deslumbre e competitividade e programas de qualidade total. Mas procuremos ouvir o segundo movimento da Bachianas nº 8 de Villa-Lobos. E, assim, mergulhados no devaneio, provoquemos um rasgo na teia e verifiquemos como ela podia ser mais bela e deliciosamente tecida, exploremos a permeabilidade da rede. Sejamos violentos em nossa ternura para reafirmar a vontade de permanecer e extrair o pus do cinismo e do descaso na UTI de nossa estética, na extrema-unção de nossa ética. E eis que, do fundo de um corredor imenso, ouve-se numa voz de velha que se deteriora a afirmação-artaud: “onde cheira a merda cheira a ser!” A úlcera no duodeno incomoda. Mas qual! A poesia das lamentações fica aqui para as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade. Vamos ali beber alguma coisa e sentir a úlcera estalando e pedindo mais. Namoros com a medicina. Aceitemos, pois, o estado de perecer e ainda sambar outra vez até que tudo se dissipe em nuvens do nunca mais. Em 1942, Mário de Andrade realiza uma conferência na qual avalia o movimento modernista vinte anos depois. Publicado em seu livro Aspectos da Literatura Brasileira, o ensaio O Movimento Modernista é por vezes ácido e impiedoso e transparece o Mário que amargou três anos de exílio no Rio, como definiu Moacir Werneck de Castro em livro lançado na década de 1980. Mário de Andrade acreditava sinceramente que o modernismo, no Brasil, provocara “uma ruptura, um abandono de princípios e de técnicas conseqüentes, foi uma revolta contra o que era a Inteligência nacional”. Do palco Nelson Rodrigues chegou a gritar: “burros, burros” à platéia do Teatro Municipal do Rio de Janeiro que se escandalizara com Perdoa-me por me traíres, a única das suas peças em que participou como ator. No Teatro Municipal de São Paulo, Mário de Andrade foi vaiado enquanto fazia uma conferência nas escadarias. Épocas e lugares diferentes. Artistas/ atores/ autores de seu tempo. Um tempo contra o imobilismo. A altivez da força, não a arrogância da imposição. Na UTI de nossa estética, na extrema-unção de nossa ética, permanecemos taciturnos. Até que venham dinamitar, sozinhos, a ilha de Manhattan. E a úlcera no duodeno continua. E a reposição do soro é lenta e incerta. E, no entanto, é preciso pensar o Brasil. Mas acaso existirão os brasileiros? Paulicéia Desvairada parece ter se originado de uma crise no seio da tradicional família paulista com suas tias velhas e a bisbilhotice costumeira sobre vida dos parentes “perdidos”. O teatro desagradável de Nelson Rodrigues veio da intenção do autor escrever comédias leves para ganhar dinheiro como faziam outros seus contemporâneos. Mas não. Um teatro poderoso e desestruturador rebentou entre sentimentos e percepções acumulados na contemplação-atuante da vida na Aldeia Campista. “Burros, burros!” Segundo Pedro Nava e Paulo Duarte, Mário de Andrade teria começado a morrer quando o Estado Novo afastou-o da direção do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, depois da deposição do prefeito Fábio Prado. Nelson Rodrigues costumava dizer que uma das peças que mais admirava era Um inimigo do povo, de Ibsen, na qual o personagem principal, Dr. Stockman, termina dizendo: “Eu descobri que o homem mais forte é o que está mais só!” Troquemos a faixa do CD mas continuemos nas Bachianas. Agora, procuremos ouvir o segundo movimento da Bachianas nº 1. Em andamento lento, quase uma modinha. Os violoncelos vibram como o ventre da mãe. E um silêncio faz o contraponto. O rito do velório depois da UTI, depois da extrema-unção. De seu exílio no Rio, Mário retorna a São Paulo para morrer. Os bois berram. São Paulo comoção da minha vida. O teatro, a literatura, o cinema, a música, a pintura, a escultura sempre estiveram assim: por sair, por se deixarem fazer. “Mas não fiquem apenas nisto, espiões da vida, camuflados em técnicos da vida, espiando a multidão passar...” Paul Valery lembra que “o sonho nunca realiza esse acabado admirável que a percepção atinge durante a vigília e a claridade”. Tratemos, pois, de buscar essa percepção. É João Cabral de Melo Neto que assim define a lucidez: “... que, ela só, nos pode dar um modo novo e completo de ver uma flor, de ler um verso”. Em carta a uma amiga, em 1907, o poeta Rainer Maria Rilke afirma que “A morte também faz parte da vida. O que me espanta é que se pretende ignorá-la. A morte que, impiedosa, se mostra presente em cada mudança da qual sobrevivemos porque é preciso aprendermos a morrer lentamente. Na verdade, devemos saber morrer...” Ao comentar os Sonetos a Orfeu, Roberto Corrêa dos Santos lembra que “É necessário o recurso à modelagem poética mais precisa (as regulações rítimicas, métricas e gráficas do soneto) para cantar a morte, a vitalidade excelente da morte, pois celebrar é preciso”. E se algo se perdeu não era de vidro que não se pudesse quebrar. Não aqui, entre trincheiras, resistindo onde cada ribanceira é uma nação. Não aqui onde o quebrar-se impõe a maleabilidade de concluir aos trancos. Mas não sejamos assim empresarialmente criativos e afeitos à adoração pelo “jeitinho”. A viagem à busca da malandragem pela Lapa já está perdida. E que ninguém suspire nostálgico pelos oito anos à sombra dos laranjais. Há um fazer de coisas desconectado não por incapacidade nem insuficiência. Talvez ainda seja possível acreditar/ querer a opção pelo diferente/ dissonante. A alma brasileira esfacelada. Raízes do Brasil arrancadas. Não há como nem por que transplantá-las. E, no entanto, “Refazer as memórias, redispor as culturas. Rever os lugares-comuns e revertê-los”. Tônia Carrero, em entrevista, relembra Cacilda Becker: magra, frágil, de repente encarava a platéia e dizia a palavra. Era o instante da revelação. A grande arte. Presença. Corpo. Mas como são potentes momentos que se encontram desordenados em cinematecas prestes a diluir-se. E é sempre o não-recurso. A falta. E por que não ainda insistir em uma estética da fome? O grande equívoco do CPC foi deixar de lado a preocupação com a estética. Depois, durante tanto tempo, a imensa nostalgia pela inexistência de grupos, de encontros, de utopias. E ficamos profissionalmente especializados e absolutamente óbvios em busca do impacto, da simulação. É preciso mais tempo para o ensaio. É preciso repetir exaustivamente o gesto até que ele se destaque da mesmice. “Toda essa mão para fazer um gesto/ que de tão frágil nunca se modela/ e fica inerte, zona de desejo/ selada por arbustos agressivos./ (Um homem se contempla sem amor, se despe sem qualquer curiosidade.)”, diz Drummond em Versos à boca da noite. E toda essa fusão de intenções, de propostas, essa confusão de sentimentos, essa Lapa que oferece - mercenária, sôfrega e alucinada - noites de orgia a quem outrora procurava idílio entre vômitos no banheiro, entre éter e cocaína. Lá vai o trem com o menino/ lá vai a vida a rodar. Mais rápido que o próprio pensamento/ Dribla mais um, mais dois: a bola trança/ Feliz, entre seus pés – um pé-de-vento! Que se dane Dom Casmurro! Está na hora de ir fazer dança de salão!
Escrito por André Luís Câmara às 13h15
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A mulher que passa
 Foto: Silva
O tema é recorrente na poesia lírica e na canção popular, exprimindo a fugacidade do instante, o lamento pelo que não pode se estender além daquele olhar. O tema da mulher que passa, enquanto o poeta/cantor a vê como luz para seus dias de treva, a mulher que não fica e se vai, deixando a sensação de que tudo poderia ser diferente se aquele instante se demorasse um pouco mais. No entanto, o poeta/cantor sabe que é exatamente o fato de ser fugaz que faz daquele instante matéria para sua poesia, sua canção, sua vida. Na poesia universal, o tema é admiravelmente tratado, no século 19, por Charles Baudelaire em A uma Passante, que aqui reproduzimos na tradução de Ivo Barroso:
A rua em torno era um frenético alarido. Toda de luto, alada e sutil, dor majestosa, Uma mulher passou, com sua mão suntuosa Erguendo e sacudindo a barra do vestido.
Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina. Qual bizarro basbaque, afoito, eu lhe bebia No olhar, céu lívido onde aflora a ventania, A doçura que envolve e o prazer que assassina.
Que luz... e a noite após! – Efêmera beldade Cujos olhos me fazem nascer outra vez, Não mais hei de te ver senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez! Pois de ti já me fui, de mim já fugiste, Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!
Em 1933, o tema aparece na canção popular em Noel Rosa, que assim o retrata na estrofe final do samba Pra esquecer:
E hoje em dia Quando por mim você passa Bebo mais uma cachaça Com meu último tostão Pra esquecer a desgraça Tiro mais uma fumaça Do cigarro que eu filei De um ex-amigo que outrora sustentei
Anos depois, Vinicius de Moraes, que tanto bebeu em Baudelaire quanto em Noel, irá assim abordar a questão, em parceria com Antônio Maria, no samba-canção Quando tu passas por mim:
Quando tu passas por mim Por mim passam saudades cruéis Passam saudades de um tempo Em que a vida eu vivia a teus pés Quando tu passas por mim Passam coisas que eu quero esquecer Beijos de amor infiéis Juras que fazem sofrer
Quando tu passas por mim Passa o tempo e me leva pra trás Leva-me a um tempo sem fim A um amor onde o amor foi demais E eu que só fiz te adorar E de tanto te amar pensei mágoas sem fim Hoje nem olho pra trás Quando tu passas por mim
Pelo menos mais uma vez, o mesmo Vinícius, como letrista, tornaria ao tema. Em 1962, compõe com Antônio Carlos Jobim a canção que se tornaria um mito: Garota de Ipanema. A primeira versão da letra, garimpada pela pesquisadora Vera Alencar quando começava a organizar o acervo de Tom Jobim, é bem a expressão da melancolia que se esvai por um segundo diante de A moça que passa, exatamente o título pensado antes de os compositores escolherem o definitivo. Os primeiros versos, ao invés dos conhecidos “Olha que coisa mais linda/ mais cheia de graça/ é ela menina que vem e que passa” eram assim: “Vinha cansado de tudo/ da velha boemia/ Tão sem passarinho tão sem poesia...” Na parte seguinte a letra é quase inteiramente igual com a esperança de que “se ela soubesse que quando ela passa/ o mundo inteirinho se enche de graça/ e fica mais lindo por causa do amor”. Ainda no universo das canções uma mulher estaria passando num samba-canção dos mais preciosos, saído da lavra de Chico Buarque, em 1981, que assim olhou toda a passagem de sua musa em As Vitrines, reunindo Baudelaire, Noel e Vinícius:
Eu te vejo sumir por aí Te avisei que a cidade era um vão - Dá tua mão - Olha pra mim - Não faz assim - Não vai lá não
Os letreiros a te colorir Embaraçam a minha visão Eu te vi suspirar de aflição E sair da sessão, frouxa de rir
Já te vejo brincando, gostando de ser Tua sombra a se multiplicar Nos teus olhos também posso ver As vitrines te vendo passar
Na galeria Cada clarão É como um dia depois de outro dia Abrindo um salão Passas em exposição Passas sem ver teu vigia Catando a poesia Que entornas no chão
Escrito por André Luís Câmara às 12h12
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