Para Dequinha (com um beijão também para Ana Flora, Paty e Rafaela)

Com atraso, segue meu beijo pra professora querida, amiga constante que só vejo na virtualidade correspondida, parabéns pelo teu dia, que bom ter essa alegria de conviver com tuas palavras, frases certeiras com que lavras meus pensamentos distantes, sendo assim: virtual e aconchegante.
Eu hoje fiquei contente também com um convite na secretária eletrônica de uma amiga, que raramente encontro, me chamando pro aniversário dela. E dava pra notar na voz dela aquele sorriso bom de quem quer bem a gente. E tive respostas por e-mail do Carlos, do Mug, da Renata, da Irene. E pensei em escrever um texto extenso sobre a arte do encontro. Mas fica aqui só esse carinho pra Dequinha e todas as amigas e amigos virtuais, presentes, infinitos. "Eu preparo uma canção/ em que minha mãe se reconheça/ todas as mães se reconheçam/ e que fale como dois olhos", diz Drummond em Canção amiga, poema musicado por Milton Nascimento. Pois é, falar como dois olhos, um recado, um post, um comentário. Amo vocês. Saravá!
Escrito por André Luís Câmara às 02h33
[]
[envie esta mensagem]
|
Uma Arte
Elizabeth Bishop Tradução de Paulo Henriques Britto
 Marc Chagall
A arte de perder não é nenhum mistério: tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério: lugares, nomes, a escala subseqüente da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! e nem quero lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império que era meu, dois rios, e mais um continente. Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
- Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
Escrito por André Luís Câmara às 06h49
[]
[envie esta mensagem]
|
Coração tatuado
Para Maria Angélica
 Scott Wilson
Fui entre suas pernas aprendiz, urdi sonhos e rabisquei em vão um quiosque, a Lagoa, sua mão (corte em goiabeira dói na raiz).
Era como ser tudo o que se quis, até que o devaneio virou chão e um retalho ragou-se em solidão, a Terra do Nunca ali por um triz.
Quem sabe, só mais um erro, sei lá, fogo de palha, amor... quem saberá? Seu sortilégio fez um bem danado!
E, em Sopa de Letrinha, escreveria pra ela, que é Angélica e tão Maria: era uma vez um coração tatuado.
Escrito por André Luís Câmara às 01h24
[]
[envie esta mensagem]
|
Horas sem sabor
 Magrite
Horas sem sabor explicam insuficiências como a do açúcar, gostos fugazes na língua: fruta, tempero, tua vulva.
São horas em que se apura a falta, a escassez, o esperdício da saliva sem ter quê, quando muito uma acidez.
Horas estragadas que machucam e abrem à fome e à sede um oco no olhos diminuídos que desistiram do sol.
Escrito por André Luís Câmara às 03h38
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |

|